Publicado por: thaissmedeiros em: junho 11, 2010
Por Thaís Medeiros
Durante o período do carnaval o mercado carnavalesco movimenta centenas de trabalhadores que saem dos quatro cantos do Rio de Janeiro com o objetivo de dar vida à festa protagonizada pelas escolas de samba. Para muitos, porém o trabalho acaba no exato momento em que a agremiação defendida cruza o ultimo portão do sambódromo encerrando seu show. Para outros esse mesmo show estende-se até o sábado das campeãs, mas não são todos que possuem essa sorte.
Alguns desiludidos com tamanho trabalho, pouco reconhecimento e o que, pra eles seria uma “falta de consideração”, por não terem sidos chamados novamente, acabam seguindo por outros caminhos embarcando em novas profissões que na maioria das vezes não se parece nada com a anterior. Há também aqueles que gostariam de não ter que depender, mas por falta de opção acabam tendo que esperar serem chamados, e enquanto isso acontece, buscam sua fonte de renda naqueles que estão sempre ali para nos socorrerem, os pais.
Mas nem tudo são espinhos, porque nessa estrada também tem aqueles que durante esse período largam o anonimato para se tornarem estrelas de primeiríssima grandeza, irradiando um enorme brilho singular com direito a palco e aplausos da platéia. Essa é a história do aderecista Luís Eduardo, que podemos dizer que mantém com um bom jogo de cintura em sua dupla jornada. Durante o carnaval Eduardo empresta todo o seu talento aos carros alegóricos trabalhando duro para que sua agremiação alcance um bom resultado. O trabalho esse ano foi tão duro que o aderecista decidiu dar uma forcinha a mais, desfilando como um dos brilhantes anjos que comporam a comissão de frente da Beija-flor de Nilópolis.
Podemos dizer então que brilho é a sina de Eduardo, já que depois do carnaval o artista da vida a drag queen Oxi Adrógino que leva a platéia ao delírio a cada apresentação realizada pela noite carioca. Pra provar que é mesmo talentoso Eduardo faz questão de compor ele mesmo o seu figurino e sua maquilagem, que elogios à parte, ficam exuberantemente lindas.
No entanto, como todos sabemos o mundo do carnaval é repleto de talentos, por isso não será de se admirar se encontrássemos outra estrela como Eduardo. Nesse caso falaremos então do aderecista Márcio Rodrigues, que assim como outros milhares divide sua vida no durante e no após carnaval. Durante os meses de folia sua grande arte é mesmo o samba, mas passada a festa na pele de Monaliza ganha os palcos da cidade carioca em busca daquele reconhecimento que não encontra em seu trabalho carnavalesco. Se transformar em Drag também é a forma encontrada por Márcio para manter a sua renda, já que pra ele seria inadimissível voltar a depender de seus pais.
– Gosto muito do carnaval, durante o período da festa é de lá que tiro meu sustento, acabado a folia me mantenho através de meus shows mesmo.
Vendo tantos talentos assim sem o devido aproveitamento, imediatamente surge a ideia de um mercado carnavalesco injusto e desumano. Mas o que acontece, porém, é que assim como nos outros ramos no carnaval a competitividade também se faz presente e talvez de maneira até mais feroz do que costumamos ver nos meios comuns. Para conquistar uma posição é necessário se percorrer um longo caminho.
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